HIPOMAGNESEMIA
DEFINIÇÃO
Concentração de Magnésio sérico abaixo da variação normal de 0.8 a 1.2
mmol/L, 1.6 a 2.4 mEq/L ou 2.0 a 2.6 mg/dL.
CAUSAS TÓXICAS
* Alcoolismo
* Anfotericina
* Aminoglicosídeos
* Beta agonistas
* Cisplatina
* Ciclosporina
* Diuréticos
* Ácido fluorídrico
* Laxantes
* Pentamidina
* Teofilina
CAUSAS NÃO-TÓXICAS
* Perda renal congênita de Magnésio
* Diabetes mellitus
* Hiperparatireoidismo
* Hipertireoidismo
* Ingestão inadequada de Magnésio
* Pancreatite
* Hiperaldosteronismo primário
* Diarréia prolongada
* Drenagem gástrica prolongada
* Transplante renal
* Nutrição parenteral total
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações clínicas são inespecíficas, variáveis e não são muito
bem correlacionadas com a concentração sérica de Magnésio.
Inicialmente, anorexia, náusea, vÔmitos, letargia e fraqueza podem
ocorrer. Os principais sintomas da deficiência de Magnésio consistem
em parestesia, cãimbras musculares, irritabilidade, diminuição da
atenção e confusão mental.
Alterações físicas refletem a associação com hipocalcemia e pode
incluir sinais de Trousseau e Chvostek positivos, tremores,
hiperreflexia, movimentos peculiares dos dedos descritos como "tetania
atetóide" e, algumas vezes, convulsões.
Arritmias cardíacas, distúrbios de condução, fibrilação ventricular e
parada cardíaca podem ocorrer em pacientes com hipocalemia
coexistente.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
* Hipocalcemia
* Hipocalemia
* Alterações neurológicas que aumentam os reflexos tendinosos
profundos (atrofia muscular primária progressiva)
* Convulsões devido a outras causas
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
* Magnésio sérico
* Cálcio e Fósforo séricos
* Sódio, cloro e bicarbonato séricos
* Testes de função renal (uréia, creatinina)
* ECG
* Gasometria arterial
TRATAMENTO
No tratamento da deficiência de Magnésio, é importante detectar e
corrigir quaisquer deficiências associadas de Potássio e Cálcio.
Na deficiência de Magnésio leve, a recuperação dos estoques do
organismo ocorre rapidamente após receber dieta rica em Magnésio. Em
casos de deficiência mais grave, a administração de Magnésio
parenteral é segura e efetiva, mas deve ser usada cuidadosamente em
pacientes com insuficiência renal. O tratamento inicial requer 8 a 12
g de Sulfato de Magnésio endovenoso, dividido em doses nas primeiras
24 horas, seguido de 4 a 5 g diariamente por 3 a 4 dias. É importante
refazer os estoques de Magnésio nos pacientes com hipomagnesemia, mas
sem fornecer Magnésio em excesso.
O Óxido de Magnésio geralmente é fornecido em comprimidos de 600 mg,
contendo 30 mEq/L de Magnésio por comprimido. Administração de 4 a 6
comprimidos por dia durante vários dias serão suficientes para
recuperar a deficiência na maioria dos pacientes.
A administração de Magnésio por via oral pode causar diarréia.
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
O tratamento da hipomagnesemia moderada à grave deve incluir admissão
hospitalar com monitorização hemodinâmica, estado neurológico e
eletrólitos séricos. Durante o tratamento de reposição, o Magnésio
sérico e reflexos tendinosos profundos devem ser monitorizados
cuidadosamente, especialmente em pacientes com insuficiência renal. Se
o paciente se tornar fraco ou perder os reflexos tendinosos profundos,
interromper a infusão imediatamente.
COMPLICAÇÕES TARDIAS
Nenhuma.
AUTOR(ES) / REVISOR(ES)
Autor(es): Dr Tim Meredith and Dr Yeong-Liang Lin, Center for
Clinical Toxicology, Vanderbilt University Medical
Center, Nashville, USA.
Revisor (es): Rio de Janeiro 9/97: J.N. Bernstein, E. Birtanov,
H. Hentschel, T.M. Meredith, Y. Ostapenko, P. Pelclova,
C.P. Snook, J. Szajewski. Birmingham 3/99: B. Groszek,
H. Kupferschmidt, N. Langford, K. Olson, J. Pronczuk.
Tradutor(es): São Paulo, 2001. Dr Ligia Fruchtengarten