HIPOGLICEMIA
DEFINIÇÃO
Hipoglicemia é a concentração da glicose sangüínea abaixo do nível
normal de 3,3 a 6,3 mmol/L (60 a 115 mg/dL). Os sintomas são prováveis
quando a concentração de glicose no sangue cai abaixo de 2,5 mmol/L
(45 mg/dL).
CAUSAS TÓXICAS
Comuns
Etanol
Insulina
Sulfoniluréias e drogas hipoglicemiantes relacionadas*
Acetohexamida
Clorpropamida
Glibenclamida
Glibomurida
Gliclasida
Glipisida
Gliquidona
Glisentida
Glisolamida
Glisoxapida
Gliburida
Glibuzole
Glicopiramida
Gliciclamida
Glimidina
Tolasamida
Tolbutamida
Incomuns
Fruto Ackee (Fruto da Jamaica - emético)
Alcoois (isopropil, metanol)
Bloqueadores Beta-adrenérgicos
Cocaína
Disopiramida
Etionamida
Haloperidol
Medicamentos a base de ervas/ plantas (vários)
Mebanazina (inibidor MAO)
Opióides
Orfenadrina
Oxitetraciclina
Pentamidina
Perhexilina
Vacina contra Coqueluche
Propoxifeno
Quinino
Ritodrina
Salicilatos
Sulfonamidas
Vacor (PNU) - efeito transitório
* Biguanidas orais (metilformina, fenformina) podem causar acidose
láctica severa mas normalmente não causam hipoglicemia grave.
CAUSAS NÃO TÓXICAS
Doenças Endócrinas
Falência hepática
Insulinoma
Desnutrição
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações clínicas da hipoglicemia são muito variadas e é
importante considerar este diagnóstico em todo paciente com alteração
do nível de consciência. Pacientes com hipoglicemia leve podem estar
agitados ou confusos, enquanto aqueles com hipoglicemia grave podem
apresentar coma profundo ou convulsões. Déficits neurológicos focais
semelhantes aos causados por acidente vascular cerebral agudo podem
ocorrer. Sintomas associados podem incluir tremores, taquicardia,
diaforese, assim como hipotermia em alguns pacientes.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Em pacientes com confusão, estupor ou coma, considerar a possibilidade
de overdose por drogas hipnótico-sedativas, agentes anticolinérgicos,
opióides ou etanol. Tremores, taquicardia e sudorese podem estar
associados com drogas estimulantes tais como cocaína ou anfetaminas.
Convulsões podem ser causadas por uma grande variedade de drogas ou
venenos.
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
Controles de glicemia podem ser obtidos em 1 a 2 minutos usando o
sangue capilar colhido dos dedos e um analisador portátil movido à
bateria ou, testes de fita. Idealmente, o sangue deve ser colhido para
análises de laboratório antes da administração de glicose exógena,
entretanto, não deve retardar desnecessariamente sua administração.
Eletrólitos do Soro
Testes de função hepática.
Avaliações de concentrações no soro de sulfoniluréias orais ou
insulina geralmente não são disponíveis, mas podem ocasionalmente ser
úteis no reconhecimento da causa da hipoglicemia. A administração
exógena de insulina resulta na elevação de sua concentração sérica mas
com baixa concentração de peptideo-C, ao passo que na intoxicação por
agente hipoglicemiante oral e no insulinoma, tanto o peptideo-C quanto
os níveis de insulina estão aumentados.
TRATAMENTO
O tratamento não deve ser retardado em pacientes com suspeita de
hipoglicemia, pois dano cerebral permanente pode ocorrer. Administrar
glicose concentrada em bolus, 25 a 50 g (0,5 a 1 g/kg de glicose a 25%
em criança) intravenosa através de via segura. Administrar doses
repetidas, se necessário. Iniciar infusão continua de soro glicosado
a 5 ou 10%. Em caso de hipoglicemia grave causada por overdose de
insulina ou sulfoniluréias, pode ser necessária infusão contínua de
grande volume de solução de glicose concentrada (25 a 50%) através de
um acesso central para manter a glicemia normal.
Antídotos: O glucagon não é recomendado porque requer a presença de
glicogênio hepático que está sempre esgotado em pacientes com
hipoglicemia aguda. Diazóxido (0,1 a 2 mg/kg/hr) por infusão
intravenosa inibe a secreção pancreática de insulina e tem sido útil
em pacientes com overdose de sulfoniluréia. Octreotide (30
nanogramas/kg/min) também tem sido recomendada.
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
Obter controles freqüentes da glicose capilar ou do soro. Pacientes
com overdose de insulina podem ter hipoglicemia prolongada, dependendo
da quantidade, tipo e via de administração. Injeção de uma grande
quantidade de insulina no espaço subcutâneo pode produzir um depósito
com uma absorção prolongada. A duração da ação dos agentes orais
sulfoniluréia varia de 6 a 72 horas, e hipoglicemia recorrente tem
sido observada até uma semana depois da ingestão de clorpropamida.
Além disso, o início da hipoglicemia pode ser retardado em pacientes
com exposição aguda aos hipoglicemiantes orais ou insulina. Alguns
autores aconselham hospitalização e observação de todos os pacientes
com suspeita de exposição importante aos agentes hipoglicemiantes. Um
estudo sugere que indivíduos assintomáticos, que não estão recebendo
glicose oral ou intravenosa, devem ser observados no mínimo 8 horas.
COMPLICAÇÕES TARDIAS
Dano cerebral cortical permanente pode resultar de hipoglicemia
prolongada ou grave.
AUTOR(ES)/REVISOR (ES)
Autor: Dr KR Olson, University of California, San Francisco.
Revisão: Cardiff 9/96: V. Afanasiev, M Burger, T Della Puppa, L
Fruchtengarten, K Olsen, J Szajewski.
TRADUTOR (ES):
Dra Daisy Scwab Rodrigues, CIAVE, Salvador, Brasil
Dra Ligia Fruchtengarten, CCISP, São Paulo, Brasil