INTOX Home Page

    SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DE FÃRMACOS HIPNÕTICOS E SEDATIVOS

    DEFINIÇÃO

    Síndrome de hiperatividade autonÔmica que ocorre como resultado da
    retirada de fármacos hipnóticos e sedativos de indivíduos dependentes
    física ou psicologicamente, após um período de uso crÔnico ou abusivo.

    CAUSAS TÓXICAS

    Nenhuma.

    CAUSAS NÃO TÓXICAS

    Administração de antagonista de benzodiazepínicos (flumazenil)
    Interrupção do uso de hipnóticos ou sedativos
    Inibição da absorção de fármacos hipnóticos ou sedativos 
    Redução da dose de hipnóticos ou sedativos

    MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

    Sintomas tipicamente iniciam em 1 a 3 dias após a interrupção do uso
    do fármaco, com pico entre 5 a 6 dias, mas podem ocorrer mais
    tardiamente com hipnóticos e sedativos que tem meia vida mais
    prolongada.

    Administração de flumazenil pode resultar em aparecimento abrupto de
    sintomas, incluindo convulsões. Neste caso, a síndrome de abstinência
    desaparecerá rapidamente conforme o efeito do flumazenil diminui.

    As manifestações clínicas observadas incluem convulsões, "craving" ou
    compulsão para o uso da droga, disforia, cefaléia, insÔnia, ansiedade,
    anorexia, náusea, vÔmitos, fraqueza muscular, taquicardia e tremores. 
    Agitação e confusão podem progredir para delírio, desorientação e
    alucinações.

    Convulsões são sintomas frequentes e podem aparecer até 7 a 8 dias
    após a interrupção do uso do sedativo-hipnótico. 

    DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

    Distúrbios metabólicos: hipoxia, hipoglicemia, hiponatremia,
    tireotoxicoses.
    Infecção de SNC
    Abstinência de etanol 
    Insolação
    Síndrome neuroléptica maligna
    Disturbios neurológicos e psiquiátricos
    Abstinência de opióides
    Síndrome serotoninérgica
    Sepsis

    Delírio de origem tóxica:
         Anticolinérgicos
         Disulfiram
         Drogas de abuso 
         Levodopa
         Litium
         Salicilatos
         Teofillina

    INVESTIGAÇÕES RELEVANTES

    Gasometria arterial
    Culturas de sangue e outras culturas quando indicado
    CPK
    TC de crânio e  punção lombar, se indicado
    ECG
    Electrólitos, uréia, creatinina, glicemia
    Investigação toxicológica

    TRATAMENTO

    Nos casos graves, a prioridade é o tratamento das convulsões.

    Tratamento sintomático e de suporte também é muito importante, e
    inclui um ambiente calmo e demonstração de segurança.

    As manifestações clínicas melhoram com a reposição do hipnótico ou
    sedativo, ou pela substituição por um sedativo-hipnótico similar como:

     Fenobarbital 60 a 120 mg oral, repetido a cada hora até
    desaparecimento dos sintomas de abstinência. 

     Diazepam 20 mg oral, seguido de 10 mg a cada hora até
    desaparecimento dos sintomas de abstinência. 

    Após o restabelecimento do paciente, a retirada progressiva do fármaco
    deve ser iniciada.

    EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO

    Em casos graves, óbito pode ocorrer na ausência de tratamento
    adequado.

    A duração da síndrome de abstinência depende da meia-vida do agente
    e/ou de qualquer metabólito ativo. Observação cuidadosa do paciente
    deve ser mantida durante este período, incluindo a manutenção de
    aporte adequado de fluidos e nutricional. Suporte social e psicológico
    apropriado é um componente essencial para o tratamento.

    COMPLICAÇÕES TARDIAS 

    Problemas psicológicos e sociais.

    AUTOR(ES)/REVISORES

    Autor:         Dr  J.N. Bernstein
                   Florida Poison Information Center/Miami
                   Department of Pediatrics
                   P.O. Box 016960 (R-131)
                   Miami
                   Florida 33101
                   USA

    Revisores:     Treatment Guide Working Group members in Ankara

                   London, 18.03.98:  T. Della Puppa, L. Murray,
                   A. Nantel, M. Nicholls, J. Tempowski

    Tradutor:      Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99