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    HIPERTENSãO

    DEFINIÇãO

    Pressão arterial elevada. Embora frequentemente seja definida como
    pressão arterial sistólica acima de 160 mmHg e pressão arterial
    diastólica acima de 95 mmHg, estes valores devem ser interpretados
    conforme idade e etnia.

    CAUSAS TÓXICAS

    Anticolinérgicos
    Corticosteroides:   Glicocorticoides
                        Mineralocorticoides
                        Estrógeno
                        Progesterona
                        Andrógenos
    Ciclosporina
    Interação Dissulfiram/etanol
    Envenenamentos:     Escorpiões
                        Aranhas:  Lactrodectus
                                  Atrax
    Etanol
    Eritropoetina humana
    Ketamina
    Metais:        Bário
                   Cádmio
                   Chumbo
                   Lítio
                   Mercúrio
                   Sódio
                   Tálio
    Toxinas naturais (ephedra - alcalóides)
    Nicotina
    Antiinflamatórios não-hormonais
    Organofosforados
    Inibidores seletivos da recaptação de serotonina
    Simpatomiméticos (incluindo agonistas alfa adrenérgicos):
                        Anfetaminas
                        Cafeína
                        Clonidina (fase inicial)
                        Cocaína
                        Efedrina
                        Epinefrina
                        Ergotaminas
                        Levodopa
                        Metaraminol
                        Metoxamina
                        Inibidores da Monamino Oxidase
                        Norepinefrina
                        Oximetazolina
                        Fenciclidina
                        Fenilefrina

                        Fenilpropanolamina
                        Pseudoefedrina
                        Tetrahidralozina
    Síndromes de abstinência

    Nota: Hipertensão associada com inibidores da Monoamino Oxidase
    geralmente é uma manifestação decorrente da interação entre drogas ou
    com alimento.  Drogas usualmente envolvidas  incluem anfetaminas,
    efedrina, metildopa e antidepressivos tricíclicos.  Qualquer alimento
    contendo tiramina pode ser responsável pela interação.

    CAUSAS NÃO TÓXICAS

    Coartação da aorta
    Hipertensão essencial (idiopática)
    Estados hiperadrenérgicos (agitação, exercício)
    Hiperaldosteronismo
    Doença hipertensiva da gravidez
    Hipertireoidismo
    Feocromocitoma
    Aumento da pressão intracraniana
    Hipertensão renal parenquimal
    Hipertensão renovascular

    MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

    O diagnóstico de hipertensão é realizado através de medidas seriadas
    de pressão arterial utilizando um manguito de tamanho adequado.

    Etiologia tóxica é sugerida na ausência de outra causa conhecida de
    hipertensão, em paciente sem história prévia de hipertensão. 

    Os principais sinais e sintomas observados geralmente são aqueles
    relacionados à intoxicação. Elevações graves de pressão arterial podem
    ser complicadas com encefalopatia hipertensiva, hemorragia
    intracraniana, edema pulmomar agudo ou infarto do miocárdio. Sinais e
    sintomas como dor no peito, dispnéia, cefaléia, náusea, vÔmito,
    alteração do nível de consciência, distúrbio visual, papiloedema e
    diminuição do débito urinário podem refletir o aparecimento destas
    complicaçoes. 

    DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

    Hipertensão por artefato de técnica
    Ansiedade

    INVESTIGAÇÕES RELEVANTES

    Eletrólitos séricos, uréia e creatinina
    Eletrocardiografia
    Raio X de tórax

    TC encefálica, na presença de sinais neurológicos focais, evidência de
    aumento da pressão intracraniana, alteração de nível de consciência ou
    comportamento sem clara evidência de ingestão tóxica. 
    Screening toxicológico seletivo conforme o caso, ou com orientação
    conjunta do laboratório.

    TRATAMENTO

    A hipertensão associada com intoxicaçoes crÔnicas geralmente é leve e
    reverte após identificação e remoção do agente desencadeante. No caso
    de intoxicações por metais, terapia específica com quelantes pode
    estar indicada. 

    Hipertensão associada com a maioria das intoxicações agudas é leve e
    requer apenas observação clínica até o retorno da pressão arterial
    para valores normais.

    Hipertensão associada com overdose aguda de cocaína, anfetaminas,
    inibidores da MAO ou outros simpatomiméticos, usualmente responde à
    sedação com benzodiazepínicos, como  diazepam 5 a 10 mg (0.25 a 0.4
    mg/kg em crianças) via endovenosa lentamente em 1 a 3 minutos. Repetir
    a mesma dose se necessário, até a dose total máxima de 30 mg (5 mg em
    crianças).  Geralmente, esta é a única terapia necessária.

    Quando houver evidência de lesão em órgãos, ou quando a pressão
    diastólica permanecer acima de 120 mmHg apesar da sedação com
    benzodiazepínicos, terapia específica deve ser instituída com um dos
    seguintes hipotensores de curta duração e de uso parenteral, até
    diminuirção da pressão arterial diastólica para 100 mmHg.

          Nitroprussiato de Sódio
         Vasodilator direto sistêmico
         Dose: Iniciar com infusão EV contínua de 0.5 µg/kg/min.
         Aumentar gotejamento conforme a pressão arterial até a dose
         máxima de 10 µg/kg/min.
         Deve ser administrado sob observação rigorosa, de preferência com
         monitorização contínua da pressão arterial.
         A solução e o equipo devem permanecer cobertos para evitar
         fotodegradação.

          Fentolamina
         Bloqueador competitivo de receptor alfa-adrenérgico.
         Dose:  2.5 - 5 mg (0.05 - 0.1 mg/kg) EV cada 5 minutos, até que o
         efeito desejado  seja atingido.
         Manter infusão contínua de 25 a 100 mg/12 horas.

    EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO

    Hipertensão determinada por overdose aguda geralmente é de curta
    duração (horas) e acompanha a duração das outras manifestações
    clínicas da intoxicação. A pressão arterial deve ser frequentemente
    controlada, principalmente na fase inicial da intoxicação. Nos casos
    mais graves, é ideal uma monitorização contínua através de cateter

    intra-arterial, especialmente quando agentes hipotensores parenterais
    são utilizados. Medidas frequentes de pressão arterial por método
    não-invasivo são uma alternativa, quando estas técnicas não estão
    disponíveis. 

    Durante o período de hipertensão, os pacientes devem ser observados
    atentamente para a evidência de possíveis complicações agudas:
    dissecção de aorta, hemorragia intracraniana, insuficiência
    ventricular esquerda e infarto do miocárdio.

    COMPLICAÇÕES TARDIAS

    Complicações tardias relacionadas com hipertensão de etiologia tóxica
    são raras, mas podem incluir aquelas resultantes de hemorragia
    intra-craniana, infarto agudo do miocárdio e hemorragia da retina. 

    AUTOR(ES)/REVISORES

    Autor:         Lindsay Murray
                   Senior Lecturer in Emergency Medicine
                   Queen Elizabeth II Medical Centre
                   Nedlands, WA 6009
                   Australia

    Revisores:     Rio de Janeiro,  5.9.97:  J.N. Bernstein, E. Birtanov,
                   R. Fernando, H. Hentschel, T.J. Meredith, Y. Ostapenko,
                   P. Pelclova, C.P. Snook, J. Szajewski

                   London, 15.03.98:  T. Della Puppa, T.J. Meredith,
                   L. Murray, A. Nantel

    Tradutor:      Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99