BRADICARDIA E BLOQUEIO ATRIOVENTRICULAR
DEFINIÇÃO
Bradicardia é a freqüência cardíaca menor que 60 batimentos/minuto (em
adultos).
O bloqueio atrioventricular (AV) é um distúrbio de condução elétrica
através do nó atrioventricular. O bloqueio AV pode ser classificado
como primeiro grau (intervalo PR prolongado); segundo grau (Tipo I ou
II intermitente com dissociação P-QRS) ou terceiro grau (bloqueio AV
total).
CAUSAS TÓXICAS
As causas tóxicas mais importantes incluem:
Bloqueadores beta-adrenérgicos
Antagonistas de cálcio
Inibidores de colinesterase (organofosforados/carbamatos e
agentes neurotóxicos)
Clonidina e outros agonistas alfa-2 adrenérgicos de ação central
Digitálicos e outros glicosídeos cardíacos
Opióides
Fenilpropanolamina, fenilefrina (hlpertensão com bradicardia
reflexa)
CAUSAS NÃO TÕXICAS
Infarto do miocárdio ou isquemia coronariana
Hipercalemia
Hipoxemia (grave)
Hipotermia
Hipotireoidismo
Doença intrínsica do sistema de condução
Aumento de pressão intracraniana
Síncope vaso-vagal
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Pacientes com bradicardia ou bloqueio AV podem estar assintomáticos,
ou podem apresentar tontura ou síncope.
Outras manifestaçoes clínicas observadas dependem do agente causal.
Pacientes com hipertensão grave secundária a um potente vasoconstritor
(por exemplo, fenilpropanolamina) podem apresentar bradicardia reflexa
à hipertensão (resposta reflexa baroreceptora). As intoxicações por
beta-bloqueadores ou bloqueadores do canal de cálcio são usualmente
acompanhadss por hipotensão. Inibidores de colinesterase usualmente
causam sudorese excessiva, cólicas abdominais e diarréia. Digitálicos
geralmente causam vÔmitos e, nas intoxicações agudas, os níveis de
potássio sérico estão frequentemente elevados. Opióides e clonidina
usualmente causam depressão do nível de consciência e miose.
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
Um monitor cardíaco é essencial para determinar a atividade elétrica
cardíaca e deve ser instalado imediatamente e observado continuamente.
As seguintes investigações complementares podem ser úteis durante o
tratamento:
Gasometria arterial
Raio X
ECG
Eletrólitos séricos
Digoxina ou digitoxina sérica (na suspeita de intoxicação
digitálica)
Atividade de colinesterase sérica e eritrocitária (na suspeita de
intoxicação por organofosforados)
TRATAMENTO
Em pacientes sem evidências clínicas de hipoperfusão de órgãos vitais,
a simples observação clínica, o estabelecimento de acesso intravenoso,
a administração de oxigênio suplementar e a monitorização do rítmo
cardíaco podem ser suficientes.
Em pacientes com evidente hipoperfusão de órgãos vitais, as medidas
adicionais abaixo devem ser tomadas:
a) Administrar atropina. A dose inicial é de 0.5 mg IV
(crianças 0.01 mg/kg).
Esta dose pode ser repetida até uma dose máxima de 3mg (0.05
mg/kg em crianças).
NÃO administrar atropina para pacientes com hipertensão e
bradicardia reflexa, porque pode agravar a hipertensão. Nas
intoxicações por inibidores de colinesterase, doses muito
maiores de atropina podem ser necessárias para tratar
efetivamente a síndrome colinérgica.
b) Administrar antídotos específicos quando indicados (veja
abaixo).
c) Considerar infusão contínua de isoprenalina 1 a 10 mcg/min
e/ou a inserção de marcapasso transvenoso ou transcutâneo.
No paciente inconsciente, os procedimentos são semelhantes aos da
parada cárdio-respiratória.
Quando o agente tóxico é conhecido ou suspeito, os antídotos
específicos abaixo são indicados se o paciente tiver evidência de
hipoperfusão de órgãos vitais ou probabilidade de deterioração
clínica.
Bloqueadores beta-adrenérgicos Glucagon
Bloquedores de canal de cálcio Calcium, Glucagon
Glicosídeos digitálicos Fragmentos Fab-digoxina
Opióides Naloxone
Compostos organofosforados Atropina, oximas
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
A evolução clínica depende do agente desencadeante. Monitorização
intensiva, suporte cardio-respiratório e controle dos eletrólitos
séricos são necessários até a resolução da toxicidade.
COMPLICAÇÕES TARDIAS
Lesão cerebral por hipoxia
Infarto do miocárdio
AUTOR(ES)/REVISORES
Autor: Kent R. Olson, MD, University of California,
San Francisco.
Revisores: London 3/98: Drs T Meredith, L Murray, A Nantel,
T della Puppa, J Pronczuk.
Tradutor: Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99.