CRISE BETA-ADRENÉRGICA
DEFINIÇÃO
Estimulação de receptores beta-adrenérgicos decorrente da exposição a
beta-agonistas puros ou parciais, resultando em uma síndrome
caracterizada predominantemente por taquicardia, hipocalemia e
taquiarritmias.
CAUSAS TÓXICAS
Salbutamol (albuterol) e terbutalina
Isoprenalina (isoproterenol)
Orciprenalina (metaproterenol).
Efedrina
Pseudoefedrina
Fenilpropranolamina
Fenilefrina
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Taquicardia sinusal, hipocalemia e taquiarritmias. Hiperglicemia,
tremor, sudorese, confusão mental e hiper ou hipotensão. Convulsões,
rabdomiólise e insuficiência renal aguda também tem sido relatadas.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Intoxicações por simpatomiméticos (incluindo xantinas)
Intoxicações por anticolinérgicos
Hipertireoidismo
Hipo- ou hipertensão de origem não-tóxica
Reação Dissulfiram / álcool
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
Bioquímica de rotina, especialmente potássio sérico e glicemia
CPK
ECG
Creatinina sérica
TRATAMENTO
Taquicardia sinusal sem outras complicações: requer somente observação
clínica.
Correção da hipocalemia e / ou desidratação.
Taquicardia sinusal intensa ou sintomática: Utilizar um antagonista
ß1-seletivo, como o esmolol na dose de 50 a 100 µg/kg/minuto via
intravenosa. Iniciar com dose de ataque de 500 µg/kg, se houver
necessidade de um efeito mais rápido (5 a 10 minutos). Como
alternativa, atenolol or metoprolol podem ser utilizados, sendo o
último mais indicado para pacientes asmáticos. A dose de atenolol é
2.5 mg via intravenosa em 2.5 minutos, a mesma dose pode ser repetida
a cada 5 minutos até resposta satisfatória. A dose total de 5 mg é
considerada adequada e a dose máxima de 10 mg não deve ser excedida. A
dose de metoprolol é 5 mg via intravenosa em 2.5 minutos, e então
repetida a cada 5 minutos até que resposta satisfatória seja
observada. A dose total de 10 mg é considerada adequada e a dose
máxima de 20 mg não deve ser excedida.
Taquicardia ventricular: lidocaína 1 mg/kg intravenosa em "bolus",
seguida por dose adicional de 0.5 mg/kg se necessário. Administração
de infusão endovenosa contínua também pode ser utilizada, na dose de
20 to 40 µg/kg/minuto. Cardioversão se necessário.
Estimulação de SNC e convulsões: diazepam (veja Guia de Tratamento
para convulsões).
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
A crise beta-adrenérgica é transitória, a duração dos sintomas depende
do agente envolvido e a dose recebida. Monitorização deve ser mantida
até desaparecimento dos sintomas e deve incluir sinais vitais, ritmo
cardíaco e balanço hidroeletrolítrico.
COMPLICAÇÕES TARDIAS
São improváveis, a menos que ocorram lesões secundárias à hipóxia em
órgãos devido a arritmias ventriculares ou convulsões.
AUTOR(ES)/REVISORES
Autor: Albert J. Nantel
Directeur, Centre de Toxicologie du Québec
Quebec
Canada
Revisores: Cardiff, 9/96: M. Burger, J. Deng, L. Fruchtengarten,
L. Lubomirov, T. Meredith, H.Persson
Tradutor: Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99