CRISE ALFA-ADRENÉRGICA
DEFINIÇÃO
Síndrome resultante da estimulação de receptores alfa-adrenérgicos por
alfa agonistas puros ou parciais, caracterizada predominantemante por
vasoconstrição e hipertensão.
CAUSAS TÓXICAS
Fenilpropanolamina
Fenilefrina
Efedrina
Mefentermina
Metaraminol
Metoxamina
Pseudoefedrina.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Hipertensão, bradicardia (reflexa) e midríase. A hipertensão é
geralmente acompanhada por cefaléia e, excepcionalmente, pode resultar
em hemorragia intracraniana. Arritmias ventriculares (incluindo
bloqueio AV e taquicardia ventricular) também podem ocorrer.
Convulsões, infarto do miocárdio e insuficiência renal aguda tem sido
descritos.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Hipertensão de origem não tóxica.
Inibidores da monoamino oxidase (em overdose ou em associação com
certas drogas que contém tiramina).
Substâncias com efeito simpatomimético ou anticolinérgico.
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
Exames bioquímicos de rotina, incluindo creatinina sérica.
Atividade da creatino fosfoquinase, incluindo dosagem de isoenzimas se
indicado.
Eletrocardiograma.
TC de crânio se indicado (sinais neurológicos focais ou cefaléia
persistente).
TRATAMENTO
Em casos leves e assintomáticos, apenas observação clínica com
monitorização de sinais vitais é suficiente.
Quando a pressão diastólica permanece acima de 120 mmHg ou existe
evidência de lesão em órgãos, terapia específica com um dos seguintes
agentes hipotensores de curta duração deve ser instituída, diminuindo
cuidadosamente a pressão diastólica para 100 mmHg.
Nitroprussiato de Sódio
Vasodilator direto generalizado.
Dose: Inicie infusão EV contínua com 0.5 µg/kg/min.
Aumentar gotejamento progressivamente até a dose máxima de 10
µg/kg/min, conforme pressão arterial.
Administrar mediante observação rigorosa, de preferência com
monitorizacão contínua da pressão arterial.
Solução e equipo devem estar cobertos para evitar a
fotodegradação.
Fentolamina
Bloqueador competitivo de alfa-adrenoreceptor.
Dose: 2.5 - 5 mg (0.05 - 0.1 mg/kg) EV a cada 5 minutos até
obtenção do efeito desejado, seguido de infusão contínua de 25 a
100 mg/12 horas com monitorização da pressão arterial.
Atenção: Atropina e beta bloqueadores são contra-indicados.
Tratar as arritmias ventriculares e convulsões.
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
A evolução clínica é geralmente auto-limitada e a recuperação
completa. A monitorização deve incluir sinais vitais (pulso, pressão
arterial, temperatura), rítmo cardíaco e balanço hidroeletrolítrico,
até o desaparecimento dos sintomas.
COMPLICAÇÕES TARDIAS
Não são frequentes mas podem ser decorrentes de crise hipertensiva
grave, incluindo hemorragia intracraniana, infarto do miocárdio e
hemorragia de retina.
AUTOR(ES)/REVISORES
Autor: Albert J. Nantel, Directeur, Centre de Toxicologie du
Quebec, Quebec, Canada.
Revisão: Cardiff Setembro de 1996: J-F. Deng, L. Fruchtengarten,
L. Lubomirov, T. Meredith, H. Persson.
Tradutor: Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99