EDEMA AGUDO PULMONAR CARDIOGÊNICO
DEFINIÇÃO
Edema agudo pulmonar cardiogênico é causado por um aumento súbito da
pressão em capilares pulmonares, engurgitamento dos vasos pulmonares
(sanguíneos e linfáticos), exsudação para o espaço intersticial e
espaços intra-alveolares, manifestando-se por dificuldade respiratória
em diversos graus.
CAUSAS TÓXICAS
Complicação secundária observada nas intoxicações que causam:
Arritmias (bradicardias, taquicardia supraventricular,
taquicardia ventricular)
Depressão miocárdica (choque)
Isquemia miocárdica
Hipertensão grave.
CAUSAS NÃO TÓXICAS
Hipervolemia aguda
Arritmias cardíacas
Drogas depressoras cardíacas
Hipertensão
Doença valvular esquerda
Infarto do miocárdio
Miocardite
Isquemia miocárdica grave
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Dispnéia, taquipnéia, tosse, expectoração espumante, as vezes escarro
sanguinolento e sensação de morte iminente.
Taquicardia, hipertensão ou hipotensão, rítmo de galope, estertores em
bases ou generalizados e sibilos.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Síndrome de angústia respiratória do adulto (SARA)
Pneumonite aspirativa
Asma
Hipersecreção brÔnquica
Doença pulmonar obstrutiva crÔnica
Edema pulmonar não cardiogênico
Broncopneumonia
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
Gasometria arterial
Raio X de tórax
Ecocardiograma
Eletrocardiograma
Eletrólitos séricos, uréia e creatinina
TRATAMENTO
Edema pulmonar agudo é considerado uma emergência médica e o
tratamento não pode ser adiado. O tratamento inclui:
Posicão sentada ou decúbito elevado,
Oxigênio em alta concentração,
Nitroglicerina pode ser utilizada como spray sublingual (duas
vezes ou 0.8mg) ou um comprimido sublingual. Repetir se
necessário.
Furosemida: administrar 60 a 80 mg endovenoso em adultos, ou
1 mg/kg em crianças. Pode ser repetido após uma hora.
Se o paciente não responder às medidas acima, então instituir:
Nitroglicerina EV: administração contínua, iniciamente com 10 a
20 µg/min; se necessário aumentar a dose progressivamenye em 10
µg/min com intervalos de 5 a 10 minutos, até dose de 80 µg/min.
Pressão Aérea Positiva Contínua (CPAP) - pode ser feita com
máscara.
Ventilação com Pressão Positiva Intermitente (IPPV) por
ventilação mecânica. IPPV deve ser instituída assim que o
paciente apresentar qualquer sinal de hipoxia cerebral, choque,
PaO2 < 60 mmHg (Fi02 > 0.5), acidose metabólica grave, ou
PaCO2 > 60 mmHg.
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
Monitorização rigorosa deve ser mantida até melhora do paciente e deve
incluir:
Pulso e pressão arterial
Rítmo cardíaco
Débito urinário
Oximetria de pulso
ECGs e gasometria arterial seriados
Pressão da artéria pulmonar
Considerar a investigação e manejo apropriado em qualquer condição
alterada ou abaixo da normalidade .
COMPLICAÇÕES TARDIAS
O potencial para complicações tardias depende da duração e gravidade
da hipóxia e hipotensão, das medidas diagnósticas e terapêuticas
instituídas. Podem ocorrer lesões cerebrais e renais causadas pela
hipoxia.
AUTOR(ES)/REVISORES
Autor: J. Szajewski, Director, Warsaw Poison Control Centre,
Warsaw. Poland.
Revisão: Berlin, Outubro 1995: A. Jaeger, R. Dowsett,
J. Szajewski, V. Danel, A. Wong.
Tradutor: Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99